Diferenciação

Existe uma recorrente confusão ao identificar estas três espécies da família Tyrannidae. Para esclarecermos foi elaborada esta que foge ao padrão das páginas de gênero elaboradas até aqui, por se tratar de três gêneros diferentes. No entanto, com uma enorme semelhança visual entre si. Ao observamos em campo estas espécies, à primeira vista podem gerar dúvidas, sendo sanadas com o decorrer do tempo na experiência de inúmeras observações ou recorrer a esta página ou guias de campo que tratam do assunto.

Empidonomus varius - peitica


  Registros de peitica no WikiAves

A peitica mede cerca de 18cm. A plumagem, toda rajada de cinza escuro, lembra o bem-te-vi-rajado e o bem-te-vi-pirata. Seu tamanho é intermediário entre as duas espécies, tendo a cabeça e o bico mais proporcionais do que o bem-te-vi-rajado. Característica capaz de separá-la do bem-te-vi-pirata é o marrom avermelhado da base superior da cauda e os bordos da mesma cor das penas caudais.

Vive nas matas ciliares, cerradões e matas secas. Coloniza áreas urbanizadas com boa arborização. Realiza migrações sazonais ao longo de sua distribuição, deslocando-se para latitudes mais baixas no inverno.

É de difícil identificação não só devido à sua semelhança com o bem-te-vi-pirata e com o bem-te-vi-rajado, mas também por essas duas outras espécies ocorrerem mais ou menos nos mesmos ambientes que o peitica e muitas vezes migrarem para os mesmos locais nas mesmas épocas.

Seu canto é um chamado abafado, emitido em pousos tradicionais na copa. Também usados para caçar insetos em vôo, retornando para comer a presa nos poleiros.

Ocorre a leste dos Andes da Argentina até os E.U.A, realizando migrações sazonais ao longo de sua distribuição, deslocando-se para latitudes mais baixas no inverno. Suas migrações são extensas e ainda pouco conhecidas.

Legatus leucophaius - bem-te-vi-pirata


  Registros de bem-te-vi-pirata no WikiAves

O bem-te-vi-pirata mede cerca de 14,5 cm de comprimento. O menor dos “bem-te-vis rajados”, no período reprodutivo vocaliza praticamente o dia todo em locais expostos e torna-se notável. Em comparação com a peitica, o bico é menor e a cauda mais curta, conferindo um aspecto mais atarracado ao bem-te-vi-pirata. Sob excelentes condições, é possível observar que falta a esse o fio marrom avermelhado da parte superior das penas da cauda daquele. Entretanto, como sempre os vemos contra o céu, as características comportamentais são grandes auxiliares. O nome pirata vêm do hábito de tomarem ninhos construídos por outras espécies para reproduzirem.

Varia de incomum a comum em clareiras com árvores esparsas, bordas de florestas úmidas e capoeiras. Vive normalmente solitário e pousado à altura da copa. Passaria facilmente desapercebido não fosse seu canto marcante, repetido insistentemente.

Quase todo o Brasil, com exceção de parte das regiões Centro-oeste e Nordeste. Encontrado também do México ao Panamá e nos demais países da América do Sul, excluindo-se o Chile e o Uruguai.

Myiodynastes maculatus - bem-te-vi-rajado


  Registros de bem-te-vi-rajado no WikiAves

O bem-te-vi-rajado mede entre 19cm e 23cm. Esta espécie Pode ser confundido com o bem-te-vi-pirata (Legatus leucophaius) e com o peitica (Empidonomus varius), mas é maior que os dois. É uma espécie geralmente solitária e quieta, cantando com mais intensidade ao entardecer ou nas primeiras horas do dia.
A maior das espécies rajadas da família, destaca-se pelo enorme bico e cabeça desproporcional ao corpo. É do tamanho do bem-te-vi. As listras superciliares brancas não se unem na nuca, como nas outras espécies de plumagem rajada.

Habita a parte interna das matas ciliares, cerradões, cambarazais e matas secas. Ocasionalmente, aparece em áreas de cerrado denso. Não costuma ficar em poleiros expostos, como as outras espécies rajadas. Apesar do tamanho, confunde-se bem com a folhagem, usando as diferenças de luz e sombra da região abaixo da copa. Muitas vezes, é difícil distingui-lo nesses locais. Vive em casais ou grupos familiares, muito agressivos com outros bem-te-vis-rajados. O chamado de contato mais usado e capaz de denunciá-lo parece um soluço agudo, levemente anasalado, repetido várias vezes. A(s) outra(s) ave(s) responde(m) e pode(m) encher a mata com esse som. Sua vocalização consiste em uma série de guinchos repetidos. Passa a maior parte do tempo pousado em poleiros nas árvores das bordas de matas secundárias, florestas de galeria ou matas de várzea.

Ocorre no Brasil todo. Realiza migrações sazonais, indo para as latitudes mais baixas no inverno.

Referências